sábado, 10 de setembro de 2011

Atu Dois de Copas – Amor

2 de Copas

Ela é o Amor? Infelizmente não, Ela é a Vontade, que vem na sequência dos Atus, pois mesmo o Amor está em divisão. O Amor possui duas faces distintas, pois ele se banha em duas fontes: a das Águas Doces e das Águas Amargas. Amar é saber obedecer, é dominar a ansiedade e a curiosidade. Amar é apenas ser Íntegro em um exato momento. Se conhecermos a Raiz da Formação do Amor, compreenderemos a sua Natureza, mas o homem comum está distante, ele nada nas águas lodosas daquilo que simplesmente resta.

O Amor é aquilo que une e que divide: esta é a Natureza de Vênus. Poucos, no entanto, presenciaram o seu Nascimento, poucos são os vencedores da tal da Ordália X. Seu Filho se deteve em Daath, porque ele queria saber como que nós lidaríamos com nossas irmãs, o Ego, pois este era o nosso Jogo. Sim, Ela casou com o Senhor das Profundezas da Terra, mas o seu filho nasceu de Marte, seu amante. Assim, no Amor não existe qualquer resquício de Pecado, apenas Força e Vigor. Nesse Jogo, o que une é a Vontade (Dharma) e o que separa é o Amor (Karma).

Para conhecer Câncer é necessário mergulhar até as profundezas das águas, daquelas mesmas águas lodosas. O mergulho não pode ser feito sem o Consentimento de Vênus, isto é, sem o conhecimento de sua Natureza. Ela é o Céu. Ela é ISIS, em todo o Seu esplendor azul. E Ela disse:

Pois Eu estou dividida por causa do amor, para a chance de união.

Esta é a criação do mundo, para que a dor da divisão seja como nada, e o prazer da dissolução tudo.

Para estes tolos dos homens e para seus infortúnios não atenteis de todo! Eles sentem pouco; o que é, é balançado por fracos prazeres; mas vós sois os meus escolhidos.

Obedecei ao meu profeta! Persisti nas ordálias do meu conhecimento! Buscai-me apenas! Então os prazeres do meu amor vos redimirão de toda a dor. Isto é assim; Eu juro pela cripta de meu corpo; por meu sagrado coração e língua; por tudo que Eu possa dar, por tudo que Eu deseje de vós todos.

AL, I, 29/32.

Amar nunca foi fácil e talvez aqui estejamos perante a mais difícil das Ordálias: AMOR. As Fórmulas mudaram; muitos dos Sistemas foram aprimorados para acompanhar a evolução da psiqué humana; a Tradição foi revigorada e nós continuamos sem saber amar. Porque talvez sequer saibamos o que amamos.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Atu Dez de Copas - Saciedade

Saciedade

Estamos diante do princípio do desejo animal, que tende a arder furiosamente durante toda a vida humana. Por outro lado, representa o instinto das necessidades básicas da natureza de todos os animais, pois este Atu faz parte do instinto da alma animal (Kâma Rûpa).

O que sacia os nossos sentimentos: sexo, violência, solidão, dor...? Diversas são as fontes das nossas frustrações sempre movidas por ansiedades. Nada satisfaz o ser humano, nada para ele parece ser o suficiente, nunca existe descanso ou um limite. Nada para ele parece estar completo, uma vez que existe aqui o motor da impermanência. Existe limite? Existe realmente algo que nos satisfaz? São verdadeiras nossas paixões?

Em uma carta do meu falecido Instrutor, ele diz claramente: “O transe da saciedade leva o estudante a conhecer as primeiras portas da obscuridade de sua alma”. Com certeza, muitos mergulham no treinamento da mente, mas poucos são os que aprendem a Sentir. Este transe é o que irá aos poucos fortalecer o nosso Ego (Choronzon) e nos fará conhecer o grande demônio que se oculta no labirinto de nossa mente.

Aqui temos o princípio do refinamento humano, porque de todos os Dez este parece, apenas parece, ser o mais fácil de ser solucionado. Enquanto que os outros requerem coragem de decisão este requer a sensibilidade na direção de um verdadeiro trabalho de refinamento e de aceitação.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Atu A Princesa de Paus

Princesa de Paus

Ela é a representação dos extremos, o extremo da ousadia, a ousadia inocente que desconhece o limite do perigo. A ousadia da inocência perante o mundo. Na busca da sua luz ela avança resoluta, mesmo que tenha de abrir mão de todas as suas riquezas. A nossa Princesa imola seu ego no seu fogo puro, no fogo do incenso, entregando a si mesma ao desconhecido. Pura como o fogo e a terra, ela se lança, ela dança, ela se eleva. Como uma jovem virgem ela entrega sua pureza, dá o último passo na direção de sua escolha, de sua volúpia, de sua liberdade.

A Princesa é a jovem rica e rebelde que escolhe o seu caminho quase que instintivamente, quase que inocentemente, inocentemente... Se há dúvida em seu coração, nós nunca o saberemos, pois ela segue firme, adaptativa, violenta muitas vezes, mas com a certeza de que sairá vitoriosa.

Impetuosa, fértil, rica, inocente sem dúvida, esta é a Princesa do Palácio dos Deuses. Sua ousadia é digna do nosso amor e da nossa admiração, pois devemos saber que nela congrega as três outras qualidades das nossas Princesas.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Atu 0 – O Louco

Louco 

O Louco, o charlatão, o bobo da corte é também o nosso querido palhaço, aquele que ao nos fazer rir impulsiona a humanidade na direção de sua evolução. O palhaço é uma classe especial de homem, pois há de se ter talento para fazer rir e refletir ao mesmo tempo. Devo aqui repetir uma frase que certa vez utilizaram para elogiar o maior palhaço do século XX, Sir Charles Chaplin, que diz o seguinte: “O palhaço é aquele que ao saltar de um trampolim se elevou tão alto que ultrapassou as nuvens e todos os limites humanos, e atingiu as estrelas”.

O nosso palhaço é aquele que consegue realmente tocar as estrelas, que vê tudo a distância, com claridade e humildade. Ao fazer isso, ele nos traduz sua visão através de uma experiência mais profunda. Ao fazer isso, ele se comporta como o diabo, o anti herói, que ri e nos faz rir de nosso dia a dia, das nossas maselas, dos nossos sonhos humanos... É o único que consegue e que tem a nossa autorização para falar a verdade, de nos questionar. Assim como o diabo, ele ri de nós e nos convida a rir com ele, mas quem consegue rir de si mesmo? Quem consegue rir de suas próprias desgraças? Quem consegue rir de suas tolas conquistas? O palhaço é aquele que também consegue rir de seus mais profundos fracassos, daí o motivo de ser realmente engraçado. Só não ri quem está morto para toda e qualquer forma de verdade. Só não ri quem não é verdadeiramente livre.

O Louco é o que rompe com as fronteiras do tempo e das limitações. É o primeiro que rompe por terras desconhecidas e poucos são aqueles que teem a coragem de segui-lo. Segui-lo é deixar para trás um estranho e velho mundo moribundo, no qual nos acostumamos a andar como animais selvagens enjaulados. Segui-lo é reunir todas as nossas últimas coragens e arriscar uma nova vida ou uma velha morte.

Todo Louco é um solitário. Todo Louco é um Santo. Todo Louco é um embriagado de Amor. Todo Louco está morto para os olhos daqueles que não o entendem como tal. Todo Louco transcendeu sua masculinidade e sua feminilidade, ele é completo! Todo Louco é Inocente. Todo Louco é uma Criança e uma Besta...

A Besta e a Criança

O Diabo ri de maneira contida, quase imperceptível. O palhaço ri de maneira escrachada, sem dúvida. Um está rindo do mundo; o outro de si mesmo. Algumas vezes é difícil saber quem é um e quem é o outro, mas ambos são similares em essência. Durante certo tempo na história, o riso foi acorrentado da mesma maneira como as pessoas eram pelos seus senhores seculares e religiosos, mas é impossível deter o riso, o prazer, a alegria... A alegria é o princípio de toda liberdade. Não existe amor sem alegria. Não existe vida sem liberdade. Não existe luz sem o palhaço...

Devo contar, portanto, algo que descobri ao longo destas linhas: é o Louco quem nos insere na vida, da mesma maneira que o Diabo nos insere em nós mesmos. Por isso ambos estão rindo, nos convidando a sermos como seu macaquinho. Somos os seus aprendizes no final das contas. Adquirimos ao longo de nosso treinamento no picadeiro, a termos “o ponto” certo para o humor, para dizermos a verdade ao longo da piada.

Devemos aprender a rir, a rir de nossas virtudes e de nossos vícios. O riso nos mantém lúcido no momento da coroação de nossos objetivos. É o que mantém nossos pés fincados na realidade quando tudo à volta é insanidade.

O Louco é visto pelo velho mundo como um charlatão, um demônio, mas, em verdade, ele não passa de uma simples Criança, brincando com seu bichinho de estimação em seu jardim. O Louco em toda sua Verdade é um Solitário, um quase abandonado, mas se existe realmente uma Luz, esta emana dele...

Louco2

Quem é verdadeiramente este Louco? Leiam e estudem Liber Tzaddi vel Hamus Hermeticvs, Liber Cheth vel Vallum Abiegni… Invoquem cada célula de vossos corpos para direção deste Caminho… Como diz o Liber Cordis Cincti Serpente, Capítulo IV, Versículos 54 à 61:

Este meu coração está cingido com a serpente que devora seus próprios anéis da cauda.

Quando haverá um fim, ó meu querido, ó quando serão o Universo e o Senhor deste completamente engolidos?

Não! quem devorará o infinito? Quem desfará o Erro do Princípio?

“Tu gritas como um gato branco no telhado do Universo; existe nenhum para te responder.

“Tu és como um solitário pilar no meio do mar; nenhum existe para Te ver, ó Tu, que vês tudo!

“Tu esmoreces, tu falhas, tu, escriba; gritou a desolada Voz; mas Eu te enchi com um vinho cujo sabor tu não conheces.

“Ele servirá para embriagar o povo da velha esfera cinzenta que rola no infinitamente Longe; eles lamberão o vinho como cães que lambem o sangue de uma linda cortesã trespassada pela Lança de um veloz cavaleiro que atravessa a cidade.

“Eu também sou a Alma do deserto; Tu deves buscar-me novamente ainda na solidão da areia.”

Benção e Veneração à Besta, o Profeta da Amorável Estrela.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Atu A Rainha de Copas

Rainha de Copas

Que ilusão é pior do que aquela em nossos corações?

O sentimentalismo é uma praga que corrói a existência, que cega o homem da realidade. Este aqui é amor egóico que leva às piores barbaridades: o amor por alguém; o amor por uma determinada fé; o amor por seus bens materiais...

O homem tem como treinar sua mente e livrá-la das ilusões, mas qual é o treinamento para se ter domínio sobre os sentimentos? Pode algum ser humano dizer que amou de verdade algum dia?

A Rainha de Copas não pode dizer que sabe amar. Ela se perdeu na ilusão de seus sentimentos. Ela diz amar você, mas nem mesmo a ela, ela sabe amar. Ela é o servilismo do amor, que faz afundar e a se afogar em um sentimento que parece ser verdadeiro, mas que não passa de névoas de ilusão e de egoísmo. A Esfera de Daath está diretamente relacionada com o Anahatha Chakra. Assim, temos o Conhecimento do Amor, mas quem realmente amou? Quem realmente sabe o que é amar? Nuit não diz que aquilo que nos une é o mesmo o que nos separa? Portanto, que haja aqui Entendimento.

Pois Eu estou dividida por causa do amor, para a chance de união.

Esta é a criação do mundo, para que a dor da divisão seja como nada e o prazer da dissolução tudo.”

AL, I, 29 /30.

Atrás de todo sentimento intenso – e verdadeiro – esconde-se uma obsessão. Não estamos diante de um verdadeiro amor, mas de uma distorção da realidade, do agravamento da ilusão, da formação da maioria das doenças mentais. As pessoas acham lindo o sentimentalismo de uma pessoa bondosa, mas não percebem que ali reside o germe do ego.

Os piores crimes contra o ser humano foram realizados em nome de algum amor.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Atu VII – A Carruagem

Carruagem

O que seria do ser humano sem um Destino?

Temos aqui de fazer uma escolha, certa ou errada, não importa. Não é mais tempo para se ficar parado. A vida é uma missão livremente aceita, a vida é curta e só estamos nela porque algo precisa ser feito. A vida anda, nos engole e a Felicidade está aqui e agora, e não no amanhã. A vida nos mostra várias possibilidades, caminhos diversos e eles devem ser escolhidos e percorridos. Escolhas nunca são fáceis, ainda mais quando vemos a possibilidade de ter nosso sangue exposto. Mas não podemos esquecer que um pacto foi feito há muito tempo e que agora deverá ser cumprido.

Existe neste Atu um mistério sagrado demais, oculto como a sabedoria que se revela nas linhas do Al Curan. Nada aqui é aparente, como não é aparente a riqueza superior da terra sobre o céu. ABRAHADABRA é o mistério por detrás deste Atu. É o Amor unindo os divididos e é o movimento deste Amor que nos leva à plena realização da Verdadeira Vontade.

No Atu VII se esconde Nossa Senhora Nuit na forma plena do Amor. Sim, mas há um Mistério aqui: um homem, uma esfinge, um guerreiro, um deus... ou tudo isto ao mesmo tempo. Então, que sangue seja derramado: vivo, rico, fresco, eterno... Pois nele surge Ele que é Único, em Força e Vigor, modificando o mundo.

Durante anos tive muita dificuldade em compreender este Atu, mas isto é compreensível, por ser este o mais sagrado entre todos. Nele está Tu, meu Amado! Nele somos vistos como Um.

Ele nos mostra nossa Verdadeira Vontade e treina nossa inteligência nela, mas cabe à nós descobrir como exercê-la plenamente. Então, Ele se oculta de nós, nos cobra Felicidade, nos confunde, nos sangra em Amor, nos oferece tudo o que precisamos... Nossos pés cansados titubeiam, dobramos de joelhos, mas logo erguemos outra vez nossas armas. Avançamos. Brandimos nossas lanças e escudos. Gritamos alto nossa Palavra de guerra. E Ele diz, quase casualmente: “Nada poderá feri-lo. Tu és nosso!” Avançamos sem pensar em vitória. Avançamos porque fomos treinados para isto. Vida, morte, eternidade... Não pensamos nisto, mas apenas em prosseguir adiante, com a Vontade perante nossos olhos e o Amor cravado em nosso peito.

Assim, Narananda avança sobre os exércitos do seu passado, destruindo o que já é velho, mas resgatando o que deve ser salvo. Na Carruagem o seu Mestre mostra-lhe a direção, mas quem vai adiante é ele. Não existe livre arbítrio: isto é para os deuses escravos. Não existe uma única Verdade, mas várias que se complementam e somos treinados em todas elas através de uma Lei.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Atu O Príncipe de Paus

Príncipe de Paus 

Temos aqui a consciência da força e da agressividade, da virilidade, da vitalidade, da robustez física e da retidão mental, da impetuosidade e tudo isto movido por um querer indubitável. Vemos a Vontade em movimento, como uma força incontrolável de destruição e criação, pois alguma que é destruída necessita que algo melhor seja colocado em seu lugar. O Príncipe de Paus é a inteligência do fogo, a rapidez de raciocínio e a plena compreensão das coisas ao seu redor. Estamos perante a plena realização da Verdadeira Vontade.

Este Atu nos mostra a consciência, fruto do conhecimento prático e teórico. A movimentação perpétua de um Conhecimento que é adquirido e repassado. Um sacrifício imposto e auto imposto. Uma realeza que é assumida definitivamente. Uma solidão da qual não se tem como fugir. Só vence aquele que conhece aquilo que quer.

O Príncipe de Paus é aquele que irá tomar o seu lugar de direito entre os poderosos. Podemos ver nele a face do Orgulho, a segurança e o sucesso por onde quer que ele passe. Ser jovem é uma questão mental e não física. Ser príncipe, e depois rei, é uma questão de berço. Portanto, só se pode abrir mão daquilo que se tem e daquilo que se é, e nem mesmo assim se consegue de todo.

CURSO DE TAROT DE THOTH

Iremos iniciar agora em 06 de Maio de 2025, mais uma turma de Tarot de Thoth, ON-LINE. As pessoas interessadas podem escrever para maiores i...