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Atu XV – O Diabo

Nada melhor do que iniciarmos este nosso blog do que fazer um rápido comentário sobre o Atu XV, o Diabo, que é o arcano que em Essência rege todo o Tarot e, consequentemente, qualquer jogo realizado com este.

Diabo

O Diabo, longe de qualquer conceito retrógado em que se baseia o senso comum, representa a Verdadeira Vontade, dentro do conceito thelêmico da palavra. Apesar deste Atu em si não representar propriamente a imagem do Sagrado Anjo Guardião, representa o conceito de Virilidade, de Vigor e de Força, que libera as energias ativas e passivas no ser humano. O Atu concentra em si as duas potencialidades de ação e não ação, convergendo-as em uma única direção.

Este Atu (ou arcano) demarca o Caminho do Iniciado na direção do Infinito, rompendo com todas as limitações e mostrando um novo rumo. O bode montês representa a ascensão do homem além dos seus limites físicos e psíquicos. Esta ascensão é realizada por causa do Amor, representado pela guirlanda de flores em sua cabeça, dirigido pela Vontade, daí que temos: “Amor sob vontade”. O Falo em que o bode se encontra é a representação da Verdadeira Vontade que é “injetada” no Adepto. Se observarmos o Atu I, O Magus, veremos o Iniciado sendo impulsionado pelo babuíno de Thoth, uma alusão ao Anjo Guardião.

O bode é a Besta que é liberta nos campos para subir pelas montanhas em direção aos Céus. A Besta aqui é o Adepto e a montanha, a morada dos deuses, é para onde o Adepto se esforça em chegar. Os anéis de Saturno é uma alusão à Esfera de Binah. Portanto, este Atu demarca de maneira sutil o Conhecimento ou Conversação do Sagrado Anjo Guardião.

O Diabo é a ciência que liberta e que nos aprisiona, pois ele é a manifestação e a transcendência dos conceitos estabelecidos. Por ter o seu Terceiro Olho aberto, ele passa a ser o Pai de toda e Verdadeira Ciência. Assim sendo, ele é o Senhor da mais alta Magia(k) e a face mais oculta de Deus. O Diabo é a outra face de Deus (i.e., o homem), é aquele que reage e destrói a estagnação. Devemos compreender que o Ego odeia mudanças e o Diabo é o princípio da mudança.

Neste Atu, o Crowley faz uma referência explícita ao processo de trabalho com os Chakras utilizado pela O.T.O.

Obviamente que nenhuma pessoa inteligente acredita realmente que exista um diabo que serve exclusivamente para atormentar a vida dos pacatos cidadãos. O diabo na Idade Média até os dias atuais é visto dentro das Fraternidades Iniciáticas como aquilo que a psiquiatria e a psicologia chamam de Ego. O diabo é o nosso próprio Ego (Choronzon). Aquele que nos impede de nos observarmos com clareza a realidade ao nosso redor, apesar dele ser extremamente necessário no caminho que nos leva aos Céus. Dentro dos testículos podemos ver as forças passivas e ativas – as energias duais –, a luz e as trevas que compõe cada ser humano. Não se tem como conhecer a luz sem passar irremediavelmente pelas trevas e vice versa.

Nut, Shu e Geb

Na imagem egípcia de Nu, Shu e Geb, vemos Geb, a terra ou o homem, de membro ereto. Isto representa que, sem vontade nenhum homem poderá atingir a Shu, o intermediário entre o Céu e a Terra, ou o nosso Sagrado Anjo Guardião. Nu, o Céu, é a manifestação de Nossa Senhora Nuit, a Senhora do Infinito Espaço e das Infinitas Estrelas. Portanto, este Atu representa a Vontade retamente elevada à uma única direção. Nesta imagem podemos observar de maneira sutil a Fórmula: ABRAHADABRA.

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